Quanto imposto eu pago trabalhando pra fora (a conta real de 2026)
Como eu recebo meu salário de fora hoje, quanto pago de imposto, e o que mudou com a nova lei de 2026.
Uma das perguntas que mais recebo é: “consegui uma vaga pra fora, e agora? Como recebo? Quanto pago de imposto?”
Eu respondo isso quase toda semana no LinkedIn. Então resolvi escrever a versão completa, atualizada pra 2026.
Porque muita coisa mudou.
Tem uma lei nova taxando lucros acima de R$50 mil por mês. Tem gente pagando imposto demais por estar no regime errado. E tem formas muito mais baratas de receber em dólar do que as que eu usava em 2020.
Vou te mostrar exatamente como é o meu setup hoje, e o que eu faria se estivesse começando do zero.
Aviso rápido: eu não sou contador. Aqui eu compartilho o que funciona pra mim e o raciocínio por trás. Cada caso é um caso. Antes de decidir qualquer coisa, valide com o seu contador.
✨ O que esperar do artigo
PJ ou CLT: qual modelo as empresas de fora usam, e como cada um funciona.
Simples vs Lucro Presumido: por que eu saí do Simples e onde isso faz sentido (e onde não faz).
O novo imposto de 10% sobre lucros acima de R$50 mil, e o que dá pra fazer sobre ele.
Como receber em dólar pagando o menor câmbio possível.
As calculadoras gratuitas que eu uso pra rodar a conta antes de aceitar qualquer proposta.
🤝 Quem torna esse guia possível: Ruvo
Esse guia é patrocinado pela Ruvo. Eu só aceito patrocínio de coisa que eu uso de verdade, e a Ruvo entrou no meu setup antes mesmo de virar patrocinadora.
Ela resolve exatamente a última parte desse artigo: trazer o dinheiro de fora pra cá pagando o menor câmbio possível.
↳ 0,3% de spread ao receber USD e converter pra BRL. É o menor que eu já vi.
↳ Sem IOF.
↳ 0,5% no caminho inverso (BRL pra USD), sem taxa extra pra gastar no cartão deles. Eu uso pra todas as compras da NaGringa em dólar.
↳ Ainda vem com um cartão que dá pra usar direto.
O meu depoimento, exatamente como eu mandei pra eles:
Movi basicamente todos os meus gastos internacionais pra Ruvo porque a conta fechou na hora: sem IOF, 0,3% ao receber USD em BRL, e 0,5% pra converter de volta pra USD (sem taxa extra pra gastar no cartão). O onboarding foi tão bom quanto o preço. Em menos de um dia útil eu estava configurado, com suporte de verdade no WhatsApp respondendo minhas dúvidas em menos de uma hora.
🧾 Primeiro: PJ ou CLT?
No Brasil existem dois modelos de contratação, e os dois valem pra empresas internacionais.
A real é que a maioria das vagas pra fora é PJ. Você abre uma empresa, vira prestador de serviços, e emite nota pra empresa lá fora. É mais simples e mais barato pra elas.
Algumas empresas grandes, que já têm CNPJ ou usam serviços tipo Deel e Remote, contratam CLT. Aí você tem 13º, férias, FGTS, plano de saúde, todos os direitos. Custa bem mais caro pra empresa (o Deel estima por volta de 37% a mais sobre o salário), então é menos comum em startup.
Não dá pra dizer que um é melhor que o outro no vácuo. Depende do pacote inteiro.
Um PJ que fatura R$40 mil por mês não é igual a um CLT de R$40 mil. O CLT vem com benefícios e segurança que valem dinheiro. O PJ vem com imposto baixo e flexibilidade, mas você assume o risco.
Pra comparar de verdade, eu uso a nossa Calculadora CLT vs PJ. Ela transforma tudo em valor mensal equivalente, incluindo 13º, férias, FGTS, imposto e até o câmbio quando a proposta é em dólar.
Regra prática que eu uso: quando trocar de uma vaga CLT por uma PJ, peça pelo menos 40% a mais pra cobrir o que você perde em benefícios e assume em risco.

Alguns exemplos de empresas gringas que contratam via CLT: Brex, Coinbase, Google.
E empresas que contratam via PJ: PostHog, Circle, Resend.
💼 Os regimes: Simples ou Lucro Presumido?
Aqui é onde a maioria das pessoas erra, e onde tem dinheiro de verdade na mesa.
Como PJ exportando serviço, você tem dois caminhos principais: Simples Nacional ou Lucro Presumido. E qual é o melhor muda com o quanto você fatura.
Como funciona o Simples
No Simples, dev geralmente cai no Anexo V, que começa em 15,5%. Caro.
Pra descer pro Anexo III (que começa em 6%), você precisa do Fator R: sua folha tem que ser pelo menos 28% do faturamento. Ou seja, pró-labore alto todo mês, com INSS e IRPF em cima dele.
Quando você fatura pouco, isso compensa. 28% de um faturamento pequeno é um pró-labore pequeno, com imposto baixo. Conforme você cresce, esse pró-labore de 28% incha, e o IRPF em cima dele come a economia que você teve no DAS.
A virada depende do faturamento
Rodei três cenários na nossa Calculadora de Impostos PJ, com 100% de exportação:
Lendo a tabela (já com tudo: empresa, pró-labore e o imposto da alta renda):
↳ Até uns R$20 mil/mês, o Fator R no Simples ganvha (7,94%). Pró-labore baixo, imposto baixo.
↳ Logo acima disso, o Lucro Presumido assume e não larga. No R$45 mil fica em 8,80%, o mais barato.
↳ No R$70 mil todos os números dão um salto. É o IRPFM, o imposto da alta renda, entrando (explico já já). Mesmo assim o Lucro Presumido segue na frente, com 11,31%.
↳ O Fator R vira armadilha pra quem ganha bem: 13% ou mais. O pró-labore de R$19,6 mil/mês (28%) vem com um IRPF que devora tudo.
↳ A linha do Anexo III (não intelectual) tem a menor alíquota de todas. Se a sua atividade já se enquadra no Anexo III por padrão (serviços não intelectuais), fica nele: é o melhor cenário, sem precisar de Fator R. Mas dev e afins (trabalho intelectual) não encaixam direto. Pra gente, a escolha real é entre o Anexo V com Fator R e o Lucro Presumido.
O erro mais comum aqui: “mas com o Fator R dá pra pagar as alíquotas do Anexo III!”. Dá. Só que, pra chegar lá, você precisa se pagar 28% do faturamento de pró-labore. Quanto maior o faturamento, maior esse pró-labore, e maior o IRPF de pessoa física em cima dele. É esse imposto pessoal que quase ninguém soma, e é o que faz o Fator R perder pro Lucro Presumido conforme você cresce.
Eu faturo acima da virada. Por isso estou no Lucro Presumido.
Por que o Lucro Presumido é o mais barato
Pra exportação de serviço, a conta da empresa é enxuta:
✅ IRPJ: 4,8% efetivo (15% sobre base presumida de 32%)
✅ CSLL: 2,88% efetivo (9% sobre os mesmos 32%)
❌ PIS, COFINS e ISS: não incidem sobre exportação de serviço
Isso dá 7,68% só de imposto da empresa. Com o adicional de IRPJ, o CPP e o INSS do pró-labore mínimo, a parte da empresa fica perto de 8,8% e quase não varia. O que faz o número subir no R$70 mil é a camada de cima, igual pra todo mundo.
O salto no R$70 mil: o imposto da alta renda
Acima de R$50 mil distribuídos num mês, a empresa retém 10% sobre todo o valor daquele mês. O cálculo é sobre o total, não sobre a diferença pra R$50 mil. Mas isso é antecipação. O que de fato fica é o IRPFM, o imposto mínimo da alta renda, que sobe de 0 a 10% conforme sua renda anual vai de R$600 mil a R$1,2 milhão.
No R$70 mil/mês, essa camada adiciona por volta de 2,5% (é o que tira o Lucro Presumido de ~8,7% pra 11,31%). Ela vale pra qualquer regime, então não muda qual ganha, só sobe todo mundo junto. A nossa calculadora já calcula tudo isso. A mecânica (e o que eu faço) vem na próxima seção.
Importante: tudo isso vale principalmente pra quem exporta serviço (cliente lá fora, dinheiro entrando como divisa). Se você atende cliente no Brasil, a conta muda. Rode a sua conta real na calculadora e confirme com seu contador.
🏢 Como abrir a empresa do zero
Se você ainda não tem CNPJ, o caminho é mais simples do que parece. Um bom contador faz 90% disso por você. O que você precisa entender:
↳ Defina a atividade (CNAE). Desenvolvimento de software, consultoria em TI, e por aí. O CNAE certo importa pro enquadramento e pros impostos.
↳ Escolha o tipo societário. Hoje a maioria abre como SLU (Sociedade Limitada Unipessoal), que não exige sócio e protege seu patrimônio pessoal.
↳ Escolha o regime. É aqui que entra toda a conversa de Simples vs Lucro Presumido lá de cima. Decida com a calculadora na mão e o contador do lado.
↳ Tire o certificado digital (e-CNPJ). É o que te deixa emitir nota fiscal.
↳ Abra uma conta PJ. Separe sua vida financeira pessoal da empresa desde o dia um. Isso facilita demais o pró-labore, a distribuição de lucros e o imposto.
Do CNPJ na mão até emitir a primeira nota, costuma levar de uma a três semanas, dependendo da sua cidade.
A real: não tente fazer tudo sozinho pra economizar a mensalidade do contador. O custo de errar enquadramento é muito maior do que o de um bom profissional.
🦁 O que mudou em 2026: o imposto de 10%
Essa é a parte nova, e é a que mais gera dúvida.
A Lei 15.270/2025 criou duas coisas que entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026:
1. Retenção de 10% na distribuição de lucros acima de R$50 mil por mês.
Quando a sua empresa te paga lucros ou dividendos acima de R$50 mil em um único mês, ela retém 10% sobre todo o valor daquele mês, não só sobre o que passa dos R$50 mil. Isso vale inclusive pra empresas do Simples. O valor é recolhido via DARF pela própria empresa.
2. O IRPFM, um imposto mínimo pra alta renda.
Quem soma mais de R$600 mil por ano (somando salário, pró-labore, aluguéis, dividendos, tudo) entra numa alíquota mínima que sobe progressivamente até 10% pra quem passa de R$1,2 milhão por ano.
A boa notícia: aqueles 10% retidos na distribuição não são imposto a mais. Eles funcionam como antecipação, e viram crédito no acerto anual do IRPFM. Você não paga duas vezes.
O que eu faço na prática
Primeiro o aviso de sempre: fale com o seu contador. Cada caso é um caso. Mas esse é o meu jogo.
Eu distribuo R$50 mil por mês pra mim, exatamente no limite. Nesse valor não cai retenção nenhuma.
O resto do lucro fica numa caixinha da conta Nubank PJ, rendendo. Perto do fim do ano, distribuo esse acumulado de uma vez. Como essa retirada passa dos R$50 mil naquele mês, ela paga 10% sobre todo o valor de dezembro, com a DARF caindo só em janeiro.
A parte que quase ninguém entende: esses 10% são adiantamento. No acerto anual eles viram crédito contra o IRPFM, o imposto mínimo da alta renda. Dependendo da sua renda total no ano, parte volta como restituição.
Ou seja: o total que eu pago lá no fim é o meu IRPFM, retirando mês a mês ou de uma vez. Concentrar a retirada em dezembro é jogo de caixa, não de imposto. Eu seguro o dinheiro rendendo o ano todo e só solto a retenção no finalzinho.
A outra peça: eu pago o que der pela PJ. Cursos, ferramentas de IA, assinaturas, equipamento. Esse dinheiro só passou pelo imposto da empresa (uns 8%), então sai bem mais barato do que pagar com o salário que já caiu na minha conta pessoal, que ainda levou a camada da alta renda por cima. No Lucro Presumido isso não derruba o imposto da empresa (ele incide sobre a receita presumida, não sobre a despesa), mas muda de qual bolso o gasto sai. E isso pesa no fim do ano.
Uma ressalva honesta: se a sua renda total fica no meio ou no topo da faixa do IRPFM (entre R$600 mil e R$1,2 milhão por ano), essa restituição encolhe ou some. A conta final depende da sua renda total e do redutor que abate o que a empresa já pagou. De novo: contador.
💸 Recebendo o dinheiro: o câmbio importa mais do que parece
Você pode estar no regime perfeito e ainda assim perder dinheiro na hora de trazer o salário pra cá.
O pagamento vem em dólar. Plataformas tipo Deel e Gusto convertem automático pra real, mas cobram um spread de 1,5% a 2%. Em cima de um salário internacional, isso é muito dinheiro ao longo do ano.
Por anos eu fugi disso recebendo via transferência internacional, com um spread bem menor. Funcionava, mas ainda dava trabalho.
O que eu uso hoje
Hoje eu recebo tudo pela Ruvo, aquela que mencionei lá no começo.
Em vez de 1,5% a 2% das plataformas, são 0,3% ao receber USD e converter pra BRL, sem IOF. Em cima de um salário internacional, a diferença entre 0,3% e 2% paga muita coisa no fim do ano.
E como eu recebo em real (do meu trabalho e dos clientes da NaGringa) mas tenho custos em dólar, uso o caminho inverso a 0,5% pra essas compras. Veja os preços: ruvo.com/pt/precos.
Conheça mais sobre o trabalho deles aqui: ruvo.com/pt/share/lucasfaria.
🧾 Emitindo a nota
Depois que o dinheiro entra, você emite a nota fiscal com o valor que caiu na conta da PJ.
Exemplo: se você sacou US$5.000, numa cotação de 5,50 e spread de 0,3%, entram cerca de R$27.417 na conta. Esse é o valor da sua nota.
Pra não ter que montar isso na mão toda vez, a gente fez um Gerador de Invoice gratuito.
🌟 Resumo
A maioria das vagas pra fora é PJ. CLT existe, principalmente em empresa grande, e vem com benefícios que valem dinheiro. Compare o pacote inteiro, não o número cru.
O melhor regime depende do quanto você fatura: até uns R$20 mil/mês o Fator R no Simples ganha; acima disso o Lucro Presumido vira o mais barato (8,80% no R$45 mil). Forçar o Fator R em quem ganha bem vira armadilha (13% ou mais). Rode a calculadora e confirme com seu contador.
Desde 2026, distribuição acima de R$50 mil/mês tem 10% retido sobre o total do mês, como antecipação do IRPFM (o imposto mínimo da alta renda). Em quem fatura tipo R$70 mil, essa camada soma uns 2,5%. Planeje com antecedência.
Câmbio é dinheiro real. Sair de 2% pra 0,3% de spread paga muita coisa ao longo do ano. Pra essa parte, eu uso a Ruvo.
📚 Pra aprofundar
Calculadora CLT vs PJ: compare duas propostas pela mesma base.
Calculadora de Impostos PJ: veja a diferença entre os regimes no seu faturamento.
Gerador de Invoice: emita a nota sem dor de cabeça.
O salário em dólar chama atenção. Mas o que muda a sua vida é quanto dele realmente fica com você, depois do imposto e do câmbio.
Se esse guia te poupou uma conversa cara com contador ou um spread alto sem necessidade, ele cumpriu o objetivo.
E se você ainda está atrás da primeira vaga pra fora, tem um monte delas no nosso portal.
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